sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cresce uso de redes sociais pelas empresas

Normalmente utilizadas para relacionamentos interpessoais, redes como Orkut e Facebook se tornam instrumentos de marketing e vendas

Vanessa Brito

Brasília - Os negócios estão entrando na era digital para valer no Brasil. As redes sociais (Facebook, Orkut, Twitter, blogs, entre outras), tradicionalmente utilizadas como ferramentas de relacionamento entre internautas, estão se transformando em importante mídia para marketing e vendas. No Brasil, já há exemplos de empresas que investem nas oportunidades geradas pelas relações digitais visando ao aumento de faturamento e captação de clientela.

Pesquisas pontuais procuram dimensionar o potencial e adoção das redes sociais como fontes de negócios no País, mas os resultados ainda são incertos. Estudo de uma multinacional de software divulgado recentemente apontou os empresários brasileiros como os que mais utilizariam as ferramentas da chamada web 2.0 para fazer negócios, entre um grupo de 17 países. Brasil, Índia e Espanha, classificados pelo estudo em primeiro, segundo e terceiros lugares, teriam índices acima de 90% nesse quesito.
Por outro lado, pesquisa nacional de uma agência especializada em comunicação digital concluiu que pouco menos de 36% das empresas nacionais estariam nas redes sociais (o estudo ouviu 250 empresas brasileiras). O tema, portanto, permanece carente de estudo mais aprofundado, embora não reste dúvida de que essas redes são vistas cada vez mais como potenciais canais de negócios.

Contato permanente

A Nasajon Sistemas, empresa carioca do segmento de Tecnologia da Informação (TI), é um caso típico de aposta antiga na inovação e negócios digitais. No mercado há 28 anos, o empreendimento foi criado e idealizado por Claudio Nasajon com o objetivo de desenvolver soluções voltadas à gestão empresarial. “Ele apostou na era digital”, resume Cristina Corrêa, gerente de marketing da empresa.

No início, a Nasajon Sistemas era apenas uma microempresa que acreditava na tecnologia revolucionária dos computadores e utilizava impressoras matriciais e formulários contínuos em papel. Todas as informações eram processadas pelo computador, desde o início, de acordo com a gerente. Hoje, a empresa conta com 150 funcionários e atende a cerca de 15 mil clientes em todo o País, a maioria de pequeno e médio portes, segundo Cristina.
As redes sociais são canais de relacionamento, monitoramento e vendas da empresa. As ferramentas da web 2.0 – blogs, Twitter, Facebook, Orkut, Youtube, entre outros – fazem parte de sua rotina e ditam até o perfil de seus colaboradores. Segundo Cristina, as redes são fundamentais não só para captar novos negócios, mas também para estreitar, facilitar e agilizar o relacionamento com os clientes.
Legislação e negócio
A percepção de Claudio Nasajon transformou o excesso de burocracia em oportunidade. Em decorrência das frequentes mudanças das legislações federal, estaduais e municipais, que afetam diretamente a administração e a contabilidade das empresas, a Nasajon se especializou em oferecer soluções de TI atualizadas ­– e o segmento contábil compõe importante parcela da clientela da empresa.
“Para a área de contabilidade, principalmente devido à convergência digital, os contabilistas têm de estar atualizados, inclusive em nível internacional”, observa Cristina. “Nosso contato com a clientela é permanente. Devido às constantes mudanças da legislação, que às vezes são semanais, temos de estar conectados em tempo integral.” Para isso, as redes são importantes. "Mas também utilizamos canais de comunicação tradicionais, como e-mail, para manter clientes informados sobre conteúdos relevantes”, acrescenta a gerente.
Atualização
A JCBR Consultoria e Assessoria Empresarial, sediada em Brasília, é cliente da Nasajon há 24 anos. “Sem as ferramentas disponibilizadas pela Nasajon, o escritório não anda. Elas são responsáveis por 60% do nosso trabalho”, afirma Joaquim Carlos Rabelo, diretor da JCBR.
“Hoje em dia, o contador não consegue acompanhar as atualizações da legislação. Teríamos de ter um advogado tributarista só para isso”, justifica. Joaquim conta que também capta clientes pelo site, a exemplo da fornecedora de softwares.

“Investir em tecnologia é muito importante para todas as empresas. Hoje, com R$ 15 mil se informatiza bem um escritório. Há quinze anos, era caro, hoje não”, diz o contabilista e empresário. As redes sociais facilitam o contato e atualizações dos softwares desenvolvidos pela Nasajon, que são baixados automaticamente para os computadores da empresa, explica Joaquim.


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