segunda-feira, 22 de novembro de 2010

VOCÊS ESTÃO PRONTOS?




1992 foi um ano emblemático para mim em muitos aspectos. Ano que completei 18 anos, dúvidas, escolhas erradas e foi o ano que teve o show da minha vida: LEGIÃO URBANA em João Pessoa.
Ouvi essa notícia na Rádio Transamérica em agosto de 92 e enlouqueci, o Renato Russo divulgando a agenda da banda diz: E no dia 05/09 estaremos em João Pessoa. Comecei a pular e a gritar dentro de casa, claro né?!
05 de setembro essa era data. Juntei a grana, comprei o ingresso e junto com o meu amigo Rodolfo (que hoje mora nos Estados Unidos) traçamos a estratégia para encontrar com Renato, Dado e Bonfá. Às 3 da tarde eu e Rodolfo fomos pro Espaço Cultural, local do show, para ver a passagem de som e ver se já conseguia alcançar o êxito da “missão”. Eis que de repente aparece o Dado Villa-lobos para a passagem de som, corremos e conseguimos alcançá-lo e ele, como sempre uma figuraça, nos atendeu prontamente. O Bonfá passou com pressa e não deu pra falar com ele e o Renato não veio, soubemos que ele estava rouco e que ia se poupar pro show. Fomos pra casa do Rodolfo, esperar a a noite chegar e ela chegou. Voltamos pro Espaço Cultural e encontramos uma galera que estava pronta pra ver o show também e fomos para a famosa fila do gargarejo, não queríamos ver o show de longe, não é?!

Apagaram as luzes, a gritaria começou e logo se ouviu os primeiros sons e o primeiro acorde de Love Song (O som daquele violão ecoa na minha cabeça até hoje) e Renato entra soltando o vozeirão com uma vontade imensa, mesmo estando um pouco rouco. A multidão, que foi estimada em cerca de 30 mil pessoas, foi à loucura. Eu na fila do gargarejo não acreditava no que estava vendo. Em seguida começa: Metal Contra as Nuvens, teatro dos vampiros e por aí foi, até o momento em que Renato para o show e diz: Eu estou muito confuso da cabeça com as coisas que estão acontecendo no Brasil, E queria dizer 2 coisas para vocês... a gente não esperava um público tão bonito assim e vocês vão me ajudar a cantar o Hino Nacional Brasileiro, e começa a cantar Carinhoso do Pixinguinha. Foi um momento arrepiante. (Por acaso achei esse momento no youtube:  http://www.youtube.com/watch?v=Ii762OKQUHU  )
E eu na hora pensei: Agora o Espaço Cultural cai. (risos) Esse foi um dos pontos altos do show.
Duas horas durou a apresentação e foram as duas horas mais sensacionais da minha vida, só vivi algo parecido quando Gabriel (meu filho) nasceu, foi inesquecível mas acabou... O show terminou e ficou aquele sentimento estranho. Mas a missão: Falar com Renato Russo estava apenas começando. O forte esquema de segurança impediu que a gente conseguisse chegar perto do camarim, então saímos do Espaço Cultural e fomos até a praia de Tambaú pra festejar aquele momento e resolvemos tentar completar a missão naquela noite mesmo, mas conseguimos falar com o Dado novamente e mais uma vez ele foi super simpático.

No outro dia, chegamos ao Hotel Tambaú às 10 da manhã e por um milagre conseguimos burlar a segurança, descobrir o número do quarto e ir até lá (não sei até hoje como a gente conseguiu, mas conseguimos), quando chegamos perto do quarto começamos a nos perguntar quem iria até lá para chamá-lo, todos se olharam e depois olharam todos para mim e eu pensei: Putz, me lasquei. Dito e feito, eu fui o escolhido para ir no quarto do Renato.
Fui com um certo receio, a imprensa sempre citava o temperamento explosivo do Renato e aquilo me causou um pânico. (risos) Cheguei na frente da porta que estava aberta, a Camareira estava limpando e o Renato aparece de repente olha pra mim e diz: Oi!
Eu gelei e respondi: Oi Renato, tudo bem? Olha só, eu estou com aquele pessoal  (apontei pra galera que estava comigo), e a gente queria bater um papo contigo se fosse possível. Ele olhou para mim (eu estava vestido com uma camisa preta com uma estampa da capa do disco Animals do Pink Floyd e um óculos espelhado), olhou pro óculos, ajeitou o cabelo de lado e disse: Daqui a pouquinho chego lá; Eu olhei, ainda gelado, e disse: Ok! Dei meia volta e fui em direção ao pessoal que estava saltando de tanta ansiedade. Todos me cercaram e me encheram de perguntas: E aí? Como foi? O que ele disse? Ele vem?
Olhei para todos e disse: Ele pediu para esperar um pouco.

E realmente, poucos minutos depois, ele veio. Com um rádio gravador nas mãos, de sandálias e seu andar esquisito. Renato Russo se aproximou da gente e todos nós o reverenciamos. Todos tiramos fotos, pegamos autógrafos e conversamos por mais ou menos 30 minutos. Ficamos meio tímidos no ínicio, afinal estávamos na frente de Renato Russo, mas a conversa fluiu e falamos sobre tudo: Brasília, shows, ensaios, o que ele tinha achado de João Pessoa e outras coisas. Ele mostrou algumas músicas que gostava, fez brincadeiras, dançou (existem fotos que não estão comigo e que nunca consegui recuperar), e nos tirou toda e qualquer impressão de que ele era um cara ríspido. Tinha seu tormentos e angústias. Soubemos depois que ele estava no meio de uma crise que quase culminou com o fim da banda, mas em nenhum momento deixou isso transparecer. Renato despediu-se de um por um, virou e foi embora. Foi muito atencioso com todos e nos deixou maravilhados. 

Saímos e ficamos um tempo na rampa de entrada do Hotel comentando o acontecido e de repente ele aparece descendo a rampa em direção ao ônibus, com as sandálias na mão batendo uma na outra e fazendo algazarra, se despediu da gente e entrou no ônibus, em seguida aparece o Bonfá (até que enfim), paramos ele tiramos fotos e pegamos o autógrafo e soubermos que o Dado já estava no ônibus.

Seguiram pra Natal onde fariam show no dia 07 de setembro.

Renato Russo foi um cara ímpar, daqueles que só nascem 1 em 1 milhão.


Valeu Renato onde quer que você esteja.

8 comentários:

  1. Adoro Legião, Laylson. Fez parte da minha infância, adolescência e hoje, da minha vida. 'Sou um animal sentimental e me apego facilmente ao que desperta o meu desejo'.

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  2. Oh Laylson, quanta saudade daquele dia, daquele show!!! estive no Hotel Tambaú também e usamos uma estratégia diferente, fomos no dia anterior ao show, conversamos com o Dado, com o Bonfá e com toda banda. O Renato apareceu uma vez, na sacada do hotel, quando corri para falar com ele fui seguro por Sérgio (nunca perdoei) dizendo que poderíamos ser expulsos do hotel (entramos de penetras)... ficou o show como uma bela lembrança e o primeiro beijo ao som de carinhoso!!!

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  3. Meu amigo, eu tava lendo esse post e lembrando de mim mesmo. Um filme passou em minha mente. Não fui ao show, tinha apenas 12 anos mas vontade não faltou. E como dissa lá em cima nossa amiga Carol, também sou um animal sentimental!

    Viva Legião!

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  4. Obrigado gente, foi uma história muito intensa e fico muito feliz em poder compartilhar isso e mais feliz ainda em vocês terem comentado. Abraços.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. Eu só posso dizer uma coisa depois de ler essa história toda: CARAAAAAAAAAAAAAACASSSSSSSSS!!!
    Que sorte do caramba!
    Isso é pra contar pra netos e bisnetos, Layson!
    Pode creeeeeer!
    A Legião e o Renato são únicos e inesquecíveis.
    Parabéns pelo grande feito. ehehehe.

    Viva Legião!

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  7. E eu fico feliz por te ver escrevendo. Acho que todo mundo deveria escrever. Mesmo que não seja em um blog, uma folha de papel pode salvar o mundo.

    Gostei muito do texto. Sei como você é ligado à Legião Urbana. A Ana também. Eu tive minha época de Legião. Hoje ouço as músicas e penso: É... aprendi um bocado.

    E você falou no Renato. Concordo mesmo que ele era um ser humano ímpar (além de músico e poeta). Imagina se ele estivesse vivo hoje e visse as bandas que agora tocam no Brasil? Talvez a coisa estivesse diferente se ele e o Cazuza ainda estivessem por aqui. Não suporto o rock nacional de hoje. Nem as bandas mais antigas fazem sentido. Aí o que faço? Ouço bandas internacionais ou enfio a cara na MPB. É uma pena.

    E, quanto ao show, foi um marco. Muita gente não acredita quando digo que estive no show da Legião. =)

    Os meninos e as meninas de hoje não têm a quem ouvir.

    Beijo procê.
    E estarei sempre por aqui.

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  8. Nossa que legal essa historia....com certeza um momento único que vcs viveram....Muita saudade dessa época...eu consegui ir a 2 shows do legião...Sendo que um deles foi o ultimo show da Legião em Santos....muita saudade do Renato....

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